A Lapinha da Serra é aquele lugar que a gente descreve com pressa e o visitante entende devagar. Uma praça, a igreja, poucas ruas de terra e, em volta, um paredão de montanhas que muda de cor ao longo do dia. A represa espelha a serra no fim da tarde, as noites são silenciosas e o sinal de celular quase não chega, o que, para muita gente, é justamente o motivo da viagem.
Este guia junta o que os nossos hóspedes mais perguntam: onde fica, o que fazer, quando ir, como chegar e o que levar. Cada tema tem uma página própria, com os detalhes.
Onde fica a Lapinha da Serra
A Lapinha da Serra é um distrito de Santana do Riacho, município da região da Serra do Cipó, em Minas Gerais. A serra faz parte do trecho sul da Serra do Espinhaço, a cordilheira que corta o estado de norte a sul. O vilarejo fica a cerca de 1.100 metros de altitude.
Duas áreas protegidas ajudam a entender o lugar:
- APA Morro da Pedreira: a Lapinha fica dentro dela. É uma área de proteção ambiental federal, criada em 1990 e administrada pelo ICMBio, que envolve o Parque Nacional como um cinturão de proteção.
- Parque Nacional da Serra do Cipó: a Lapinha fica fora do parque. A portaria mais conhecida, a de Areias, fica a cerca de 45 km do vilarejo.
Na prática, isso quer dizer que os atrativos da Lapinha (o pico, as cachoeiras, a represa) estão em terras particulares ou comunitárias, cada um com as suas regras e taxas.
| Ficha rápida | |
|---|---|
| Município | Santana do Riacho (MG) |
| Distância de BH | cerca de 140 km, de 2h30 a 3h de carro |
| Estrada | asfalto até Santana do Riacho e cerca de 12 km de terra |
| Altitude | cerca de 1.100 m no vilarejo |
| Moradores | algumas centenas |
Para o caminho completo, de carro ou de ônibus, veja como chegar na Lapinha da Serra saindo de BH.
Por que a Lapinha é diferente
Muita gente conhece a Serra do Cipó pela vila de Serra do Cipó, na beira da MG-010, com dezenas de pousadas e restaurantes. A Lapinha é o outro lado da serra: mais isolada, mais pequena e mais calma. O asfalto acaba em Santana do Riacho, e os últimos quilômetros de terra funcionam como um filtro natural.
O que você encontra aqui:
- Montanha de verdade: o Pico da Lapinha, considerado o segundo ponto mais alto da Serra do Cipó, começa a poucos minutos da praça.
- Água para todos os gostos: do poço a 15 minutos de caminhada até cachoeiras que pedem um dia inteiro de trilha.
- A represa: chamada por todos de “lagoa”, é o cartão-postal do vilarejo. Dá para nadar perto da margem, remar e assistir ao pôr do sol.
- Silêncio e céu escuro: pouca luz, pouco carro e quase nenhum sinal de celular.
O que fazer
O roteiro clássico tem três pilares: subir o Pico da Lapinha, visitar as cachoeiras e passar um fim de tarde na represa. Dá para completar com passeio de caiaque e quadriciclo, as pinturas rupestres do outro lado da represa e um bate-volta até o Parque Nacional da Serra do Cipó.
Montamos uma lista completa, com roteiros de fim de semana e de feriado, em o que fazer na Lapinha da Serra. Se a sua viagem é por causa da água, vá direto para o guia das cachoeiras. Se é por causa da vista, para o guia do Pico da Lapinha.
Quando ir
A Lapinha tem duas estações bem marcadas. De maio a setembro é a seca: céu azul, trilha firme e noites frias, a melhor época para o pico e para a Travessia Lapinha x Tabuleiro. De novembro a março chove bastante: as cachoeiras ficam cheias e a serra fica verde, mas as tempestades pedem atenção. Abril e outubro são meses de transição.
Os detalhes, mês a mês, estão no guia de clima e melhor época para ir.
Um pouco de história e cultura
A região era caminho de bandeirantes e, depois, de tropeiros. O povoamento atual se formou no início do século XX, e antigos moradores ainda se referem ao lugar como Lapinha de Belém. Em meados do século passado houve garimpo de diamante na região: o nome da Cachoeira do Bicame vem de um desvio feito no rio para garimpar.
A represa que hoje é o cartão-postal do vilarejo foi construída nos anos 1950 para uma pequena usina hidrelétrica. Em 2026, a paisagem da Lagoa da Lapinha recebeu tombamento provisório como patrimônio cultural.
A cultura local é viva:
- Batuque: roda de tradição de matriz africana, com dança, palmas, tambor, pandeiro e viola, feita com frequência pelos moradores.
- Festa de São Sebastião: o padroeiro do vilarejo é celebrado em janeiro, com missas, procissão, levantamento de bandeira e barraquinhas.
- Arraiá da Lapinha: a festa junina do vilarejo acontece em julho.
- Nossa Senhora Aparecida: também tem festa no calendário da comunidade.
Dica de nativo: as datas das festas mudam todo ano. Se quiser viajar para uma delas, fale com a gente antes de reservar.
Antes de ir: o que saber
A Lapinha é pequena, e isso faz parte do encanto. Algumas coisas que é bom saber antes:
- Sinal de celular: fraco ou inexistente no vilarejo, em todas as operadoras. Baixe a rota e os mapas offline antes de sair. Os nossos chalés têm wi-fi fibra.
- Dinheiro: não há banco nem caixa eletrônico, e nem todo lugar aceita cartão. As taxas das trilhas e das cachoeiras costumam ser pagas em dinheiro.
- Combustível: não há posto na Lapinha. Abasteça na MG-010, antes de deixar a estrada principal.
- Compras: há mercearias e padarias pequenas, mas não há supermercado. Quem vai cozinhar deve trazer o principal de casa.
- Restaurantes: há boas opções, mas a maioria abre de sexta a domingo. No meio da semana, poucos funcionam.
- Trilhas: o pico e as cachoeiras ficam em propriedades particulares, cada uma com a sua taxa. Respeite cercas, leve o lixo de volta e nunca entre na água com tempo fechado.
Onde ficar na Lapinha da Serra
Os chalés da Nativos de Minas foram pensados para esse ritmo: cada um tem piscina aquecida e churrasqueira privativas, cozinha completa e wi-fi fibra. São três chalés para até 4 pessoas (Santos Dumont, Guimarães Rosa e Tiradentes, os dois últimos com hidro) e o Loft Aleijadinho, um refúgio para casal com hidromassagem. Aos finais de semana e feriados, o café da manhã chega numa cesta para você saborear onde preferir.
Depois de um dia de trilha, a piscina aquecida faz toda a diferença, principalmente nas noites frias do inverno.








